Exposição Virtual

1932: acervos e memórias

O Museu da Imigração e o Sistema Estadual de Museus (SISEM) convidam todos a revisitarem os eventos de 1932, oitenta anos mais tarde, por meio de cartas, fotos, diários, manuscritos, objetos de combate, indumentária e outros itens preservados em instituições de memória do estado de São Paulo. “Revolução Constitucionalista”, “Revolução de 1932”, “Movimento Constitucionalista”, “Guerra Civil de 1932” ou “Guerra Paulista” são denominações usadas para designar os acontecimentos localizados entre julho e outubro de 1932 nos limites paulistas. A multiplicidade de nomes dá conta da complexidade do assunto. A escolha por um deles depende do posicionamento político e ideológico de quem aborda o tema.

O ano de 1932 foi marcado por manifestações públicas com forte adesão popular. Por conta do descontentamento com os rumos políticos decorrentes da subida ao poder de novos segmentos em 1930, multidões afluíam às ruas. A repressão a uma dessas manifestações acarretou na morte de quatro rapazes, cujas iniciais – MMDC – denominaram o movimento, cada vez mais organizado, que culminaria em um dos maiores conflitos armados em solo brasileiro no século XX.

O dia 9 de julho marca o início dos combates em diversos pontos do estado de São Paulo, que se estenderam ao longo de três meses. Os paulistas declaravam defender a promulgação de nova constituição.

O governo federal declarava defender a unidade nacional. São Paulo contava com forte adesão popular, mas alianças políticas que se mostraram frágeis. A União contava com um exército estruturado e armado. O resultado militar foi desfavorável aos paulistas, mas a causa constitucionalista foi considerada vitoriosa, com a promulgação de uma nova constituição dois anos mais tarde.

Os acontecimentos de 1932 foram celebrados ao longo das décadas seguintes em publicações, principalmente de caráter memorial, e festejos públicos. Documentos, fotografias e objetos foram doados e transferidos para instituições de preservação – museus, arquivos e bibliotecas – de diversos municípios do estado de São Paulo, compondo hoje um acervo bastante representativo das memórias em torno desse tema. Falamos em memórias no plural, pois entendemos que são múltiplas, não só pelos diferentes posicionamentos de quem aborda o tema, mas também pelos diversos graus de relação que se pode estabelecer com os eventos de 1932. É por meio dos acervos preservados que revisitaremos esse importante momento de nossa história, que em 2012 completa oitenta anos.

Fotos da exposição: