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sexta
08/12/17

Hospedaria de Histórias: Bebês a bordo! Como eram registrados os bebês que nasciam nos navios

Um dos primeiros berçários da Hospedaria de Imigrantes. s/d. Acervo Museu da Imigração/APESP

 

 

Olá, qual o seu nome?

– Meu nome é Washington Verrocchio

E onde você nasceu Washington?

– Bom, isso é um pouco complicado…

 

Lista de bordo do navio Washington mencionado o nascimento do bebê Washington. 1900. Acervo Museu da Imigração/APESP

 

Hoje em dia estamos acostumados a ver pessoas com nomes derivados de outras línguas. Certamente nós, aqui no Brasil, não entenderíamos o nome Washington Verrocchio como estranho. Um Washington descendente de italianos, pensaríamos.

 

Mas o que levou dois italianos da província de Pescara, Giovanni Verrocchio e Filomena, que já tinham uma filha chamada Maria Luigia, a batizar o filho de Washington no ano de 1900? Aliás, será que ele foi realmente batizado com esse nome?

 

O registro na Hospedaria de Imigrantes do Brás indica a chegada da família na data de 20 de janeiro de 1900. Foram encaminhados para o município de São João da Boa Vista, contratados pelo fazendeiro Alfredo Cypriano Freire. Giovanni tinha 29 anos, Filomena, sua esposa, 22 anos, Maria Luigia, 2 anos, e o Washington está registrado com “dias”, ou seja, nasceu a bordo do navio em que vieram da Itália ao Brasil.

 

O nome do navio?

Washington.

 

Pois é, o filho foi registrado na Hospedaria com o nome da embarcação. Por isso o nome incomum. Por isso um Washington, filho de italianos, em 1900.

 

Mas será que esse é um caso isolado?

Os nascimentos ocorridos em navios que faziam o trajeto da Europa para o Brasil, entre fins do século XIX até meados do século XX, eram extremamente raros. As viagens eram relativamente curtas, por volta de 15 a 25 dias (nos casos de viagens entre o Japão e o Brasil, por exemplo, levava-se, naturalmente, alguns meses nos oceanos) e os falecimentos durante a travessia eram bem mais comuns que os nascimentos. Era, assim, muito difícil que alguém nascesse a bordo.

 

Imigrantes japoneses na frente da Hospedaria. Mãe segura seu bebê. s/d. Museu da Imigração/APESP

 

Porém, existem casos; alguns deles, como o do nosso personagem Washington. Temos em nossos documentos quatro bebês registrados como Sempione. Três chegaram em 1897 e um em 1902. Todos nasceram a bordo do navio Sempione. Do mesmo modo, três bebês Provence nascidos na embarcação Provence – dois filhos de italianos e um de espanhóis, nos anos de 1895, 1896 e 1908. Há também Bretagne Antônio, que chega na Hospedaria com 10 dias de idade, nascido no vapor Bretagne. E Aquitaine, nascido no vapor Aquitaine em 1895.

 

Há outros casos semelhantes. A questão que nos resta é se esses bebês permaneceram com esses nomes por toda a vida ou se somente por ocasião do registro deles feito na Hospedaria. O fato de um dos registros estar como Bretagne Antonio nos indica, à princípio, a primeira opção.

 

E vocês? Conhecem alguém que possui o nome em homenagem ao local de nascimento?

 

 

Berçário da Hospedaria. Provavelmente nas décadas de 1960-70. Acervo Museu da Imigração/APESP