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quarta
20/12/17

O projeto expográfico da nova temporária do MI, “Da cabeça aos pés”

A exposição “Da cabeça aos pés”, em cartaz no Museu da Imigração desde 2 de dezembro, aborda a relação entre os acessórios de vestuário e o tema das migrações. Foram selecionados vários objetos, pertencentes tanto ao acervo do Museu, quanto a participantes migrantes e descendentes que emprestaram peças e histórias para o projeto.

 

A curadoria identificou três categorias de objetos dentre os selecionados: “acessórios de corpo”, como chapéus, luvas, joias, óculos; “acessórios de roupa”, como gravatas, broches, cintos, botões; e finalmente “acessórios portáveis”, como bolsas, bengalas, leques, isqueiros. A partir das declarações que os participantes da exposição deram em entrevistas realizadas previamente, foram nomeados três tipos de usos subjetivos para os itens: “Construir-se para o mundo”, “Lembrar-se de suas origens” e “Conectar-se com o invisível”.

 

Assim, as três categorias de objetos foram cruzadas com os três tipos de usos feitos deles e foram obtidos nove grupos: os acessórios de corpo usados para “Construir-se”, os acessórios de corpo usados para “Lembrar-se”, os acessórios de corpo usados para “Conectar-se” e assim por diante. A cada um desses nove grupos de objetos foi atribuída uma cor, que funciona como índice para que o visitante perceba quais aproximações foram propostas pela curadoria.

 

Tendo em mente que os tipos de usos são atribuições que partiram das histórias individuais coletadas nas entrevistas, poderia ocorrer de uma mesma tipologia de objeto estar em um grupo ou outro, dependendo da história contada pelo participante-emprestador. Assim, temos bolsas em grupos diferentes, como temos joias em grupos distintos: é o contato entre objeto e quem os possui que dita sua classificação na exposição.

 

Por outro lado, os agrupamentos nem sempre foram fáceis de serem definidos; por isso veio a analogia do gradiente: como um objeto poderia não pertencer a apenas um grupo, tendo mais de um tipo de uso subjetivo, os híbridos foram visualmente traduzidos como variações de uma cor para outra, formando zonas interpenetráveis.

 

Além das cores, uma referência presente desde o início do projeto era a imagem das lojas de departamento, justamente por se tratar de uma exposição de acessórios. Daí veio a estética Art Déco do início do século XX e seus grafismos geometrizados, suas famílias tipográficas alongadas e elegantes.

 

Logo da exposição

 

Para ajudar o visitante a se localizar no espaço expositivo, o teto se tornou uma espécie de mapa invertido. Onde estão os objetos do grupo que recebeu a cor amarela, o teto se torna amarelo através de faixas de tecido impresso; onde estão os objetos que receberam a cor roxa, os tecidos impressos vão se tornando roxos. Assim criamos um gradiente de cores por toda a sala, que se destaca pelo descolamento do piso e das paredes perimetrais pintados em tons de cinza escuro.

 

 

Os textos descem desde o teto até o piso, criando faixas de cor sólida e gradientes que se conectam pelos temas. No fundo da sala, os 15 participantes, que compartilharam seu tempo e suas memórias, ganharam um mural de fotos que apresentam suas famílias e seus acessórios. Dessa forma, foi possível conectar histórias individuais e coletivas aos diversos tipos de uso que um acessório pode apresentar ao longo do tempo.