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Paulistanidade e estigmatização nordestina: combustíveis da locomotiva
Marina Macedo Rego
É fácil imaginar algum lugar da periferia paulistana com um grupo de jovens vestindo roupas com estampas que, apesar de vibrantes, não ofuscam sua condição econômica. Na São Paulo dos anos 1990, não demoraria muito para que uma palavra fosse usada para se referir a eles: baianos. O significado mais óbvio é brega. Óbvia é também a posição social de quem não veio de berço bandeirante.
Posição comum à de gerações anteriores que, fazendo parte de um dos maiores fenômenos migratórios da história mundial, desembarcaram na capital paulista recebendo os apelidos pau de arara e cabeça chata. Jeitos pelos quais ficaram conhecidos antes mesmo de assumirem um trabalho menos remunerado que os dos colegas com consoantes duplas nos sobrenomes.
Do caldo dessa inferioridade imputada, o que não faltou na vida de milhões de migrantes nordestinos foi a convivência com autoproclamações de superioridade. Vindas de lugares tão diferentes quanto desnorteantes: de um careca do ABC agressivo diante de outro sotaque; a um anônimo na internet que atribui o voto de uma região inteira à irracionalidade.
Em um país que está no terceiro século de um argumento que não só apresenta, como perpetua Dois Brasis tão separados, parece impossível que esses fenômenos de preconceito não tenham espaço. Afinal, não se vive em qualquer canto do Brasil sem ouvir adjetivações regionais que hierarquizam grupos humanos.
Mas o abismo que existe entre a megalópole que nem parece Brasil e os sertões frequentemente apresentados como passado vai além das dicotomias entre urbano e rural; riqueza e pobreza; progresso e decadência; branquitude, indianidade e negritude. Esse abismo é, também, ideológico. Não é à toa que escutamos com frequência termos desconcertantes como locomotiva do Brasil ou baiano em sua forma pejorativa - que pode ser sinônimo de preguiçoso em voz alta, mas de negro em um silêncio tão eficaz quanto tacanho.
Nessa complexa teia de representações regionais está impressa uma invenção própria das comunidades imaginadas [1]. Realidade não é algo que se deve buscar nessas narrativas descoladas de historicidade. O que não pode ser dito sobre suas consequências visíveis em diferentes processos políticos conservadores desde o século XIX.
Diante dessa recorrência, é de se pensar o que levou um local que já foi considerado centro cultural da nação a ser narrado como passado; e uma província com pouca importância durante o período colonial a alcançar o status de locomotiva. Como esperado, a resposta não foge aos pilares do capitalismo brasileiro: racismo e concentração de renda.
A lógica é indigesta, mas simples. Ao fim do século XIX, enquanto o país era marcado pelo declínio canavieiro e pelo boom do café, teve início o processo de industrialização nacional. Nesse contexto, as elites brasileiras estavam particularmente afeitas às teorias do racismo científico. Consequentemente, o Brasil empenhou-se para atrair imigrantes brancos e europeus para trabalhar em sua emergente indústria, concentrada no estado paulista.
Os esforços institucionais para embranquecer a população brasileira fizeram o estado de São Paulo ser associado ao futuro e a um modelo para toda a nação, já que era o local de influxo de imigrantes brancos. Com uma economia em declínio, maioria de população negra e sem a possibilidade de atrair imigrantes europeus, o Nordeste seria narrado, então, como um “velho caldeirão racial parado no tempo” [2].
Essa dicotomia entre São Paulo e Nordeste está posta desde então, sendo que o estigma nordestino foi mobilizado, antes mesmo da criação oficial da região, para fazer brilhar pelo contraste as supostas branquitude e modernidade paulistas. É isso que explica a insistência em contrastar um território tão pequeno em extensão como o estado de São Paulo a uma região gigantesca com heterogeneidades que vão muito além de suas nove unidades federativas.
Está dado e nítido, então, os contornos raciais e econômicos desse contraste regional. O empecilho que faz a conta não fechar está na realidade social de São Paulo e dos estados nordestinos. Uma rápida caminhada pela capital paulistana é suficiente para perceber que a europeidade não está impressa na maioria da população da cidade, por exemplo.
Esse tipo de discrepância revela uma das maiores características dos regionalismos: seu caráter inventivo e imaginado [3] [1]. Se nesse tipo de discurso as regiões são dados da realidade, nas Ciências Humanas as interpretações são um pouco diferentes. O que qualquer análise territorial atesta é que, na realidade, as regiões são criações humanas [4]. Criações estas que frequentemente incorrem na tentativa de hierarquizar grupos sociais.
Isso significa que a ideia sobre a grandiosidade de São Paulo foi fruto de uma estratégia para concentrar renda em um local, fomentando a indústria incipiente de um país com dimensões continentais e elites empenhadas no embranquecimento. E nada mais eficaz para criar uma imagem de superioridade do que a invenção de um contraste inferior [5] [6].
No âmbito de tais criações, foi comum que o tipo representativo de São Paulo fosse apresentado como branco e bem-sucedido economicamente, enquanto o Nordeste seria atrelado ao que é não-branco e pobre. Estão aí aqueles Dois Brasis que costumeiramente aparecem no debate nacional: um branco, enriquecido, urbano e em posse do progresso; e o outro negro, indígena, rural, empobrecido e apresentado de forma arbitrária como decadente.
Nota-se que não é mera coincidência a similaridade entre os conceitos de raça e de região. Justamente por isso, acredito que ambos devam ser tratados sob o mesmo prisma: sabendo que não há validade natural em sua conceituação, mas que seu histórico como atributo de estigma confere materialidade a hierarquias sociais variadas.
Hierarquias estas que estão no cerne dos conceitos de paulistanidade e estigmatização nordestina. O primeiro faz referência à ideologia que pauta a pretensa superioridade política, racial e econômica paulista. Já o segundo, se alicerça na inferiorização de supostas populações nordestinas demarcadas racial, política e economicamente.
Desde o século XIX, foram variados os processos históricos que contaram com essa dicotomia como combustível ao conservadorismo. A revolta e o massacre de Canudos, por exemplo, foram narrados pela imprensa de modo geral, e pelos jornais paulistas em particular, como a luta de uma massa nordestina e bestializada contrária aos ideais republicanos. No contexto, a população paulista apareceria como exemplo de eficácia política da República Brasileira [7].
O Conflito de 1932 é outro processo histórico que teve contornos bélicos e foi marcado por essa narrativa de contraposição regional, sendo costumeiramente apresentado como o confronto entre uma classe média branca paulista e uma jagunçada do Nordeste. Contraposição que já estava posta no plano cultural há pelo menos uma década. Isto porque a Semana de Arte Moderna de 1922 sacramentou a ideia de que São Paulo tinha as tendências mais inovadoras e que o Nordeste era culturalmente medieval [4] [6].
Vale mencionar, inclusive, a importância da classe intelectual paulista do início do século XX para reforçar essa dicotomia. Figurando em vertentes ideológicas e artísticas distintas, a paulistanidade não teria sido possível sem a difusão dos homens de letra [8]. É notável similaridades em termos de narrativa regional em declarações de intelectuais que marcaram a cultura brasileira.
Como a de Monteiro Lobato, que chegou a afirmar de forma provocativa, que não seria com queijo nem carne seca que os graves problemas que defrontavam o Brasil seriam resolvidos, mas “com café, audácia, visão, iniciativa e as mais outras qualidades yankees que caracterizam o paulista.” Fala que muito se assemelha a de Oswald de Andrade, que afirmou que “a questão racial entre nós é uma questão paulista. O resto do país, se continuar conosco, mover-se-á como o corpo que obedece, empós do nosso caminho, da nossa ação, da nossa vontade” [9]. Fazendo referência a essa suposta primazia paulista, Mário de Andrade também desabafou durante o Conflito de 1932:
Dêem um estatuto só para nós, pois que somos diferentes mesmo, e sobretudo não venham mais brigar na terra da gente, fazendo esse martirizado São Paulo de campo de suas guerrilhas, de roubo, de indivíduos e de merda. Vão brigar na terra deles, nesses brasis africanos onde a puta os pariu [9].
Esse tipo de emoção exacerbada em torno do Conflito de 1932 foi tão comum que o confronto se tornou um mito estadual de superioridade política. Prova disso é que durante o Golpe Militar de 1964, o jornal Estadão narrou a deposição de João Goulart afirmando que os paulistas haviam repetido os feitos de 1932 ao garantir uma tomada bandeirante do poder. Nesse cenário, novamente uma dicotomia regional estava impressa, já que a base popular de Jango era apresentada de forma especialmente ruralizada e atrelada aos estereótipos nordestinos de irracionalidade política.
É possível apontar diversos outros processos conservadores que contaram com uma mesma retórica de oposição regional. Fato é que a desigualdade entre regiões é tão notável no cenário brasileiro que a própria Constituição de 1988 enfatiza, logo no início de seu texto, a necessidade de combatê-la e de mitigar o preconceito de origem. Preconceito que ficou visível menos de um ano após a promulgação da Carta Magna, quando Luiza Erundina ascendeu à prefeitura paulistana e ocorreram diversos ataques às populações nordestinas.
A vitória de uma paraibana progressista como prefeita gerou uma revolta conservadora que contou, até mesmo, com pichações pelos muros da capital pedindo a expulsão dos baianos. O Centro de Tradições Nordestinas, fundado durante a gestão de Erundina, chegou a ser invadido em 1993 e pichado com uma suástica nazista acompanhada da frase morte aos nordestinos.
De lá para cá, eleições continuam sendo território fértil para uma violência política caracterizada pela exaltação paulista e inferiorização nordestina, bem como dos preconceitos raciais e de classe que esse binarismo costuma congregar. Foi, inclusive, a análise desse fenômeno que motivou minha pesquisa de doutorado. Nela, pesquisei como as populações nordestinas foram abordadas pela imprensa paulista em todas as eleições presidenciais que ocorreram desde a redemocratização, entre 1989 e 2022.
Para tal, procurei as palavras ‘Nordeste’ e ‘nordestino’ nos textos eleitorais publicados na Folha de S. Paulo e n’O Estado de S. Paulo entre os dois dias que antecederam o primeiro turno e os dois dias posteriores à definição da candidatura vencedora. Ao compilar um vasto banco de dados com mais de 1160 notícias, pude perceber não apenas a recorrência da paulistanidade e da estigmatização nordestina no século XXI, mas sua estreita relação com processos políticos férteis à extrema direita.
Lidar com uma base de dados tão extensa e diversa tornou necessário criar categorias analíticas balizadas em técnicas específicas de análise de conteúdo [10]. Por isso, cada notícia que formou o banco de dados foi lida e considerada negativa ou positiva para cada uma das questões elencadas a seguir:
- A menção ao Nordeste relacionou direta ou indiretamente a região a algum atributo de estigma recorrente na desigualdade regional brasileira, a exemplo da pobreza, seca ou falta de instrução?
- A menção à região nordestina mobilizou algum discurso de rebaixamento ou estereótipo negativo cristalizado?
- A menção ao Nordeste é atrelada ao Partido dos Trabalhadores?
- A menção foi feita para denunciar alguma ocorrência de preconceito regional ou para mobilizar alguma espécie de orgulho ou resistência nordestina?
Após a análise do banco de dados foi possível apresentar um cenário no qual o Nordeste é apresentado com associação a algum atributo de estigma metade das vezes em que é citado, sendo abordado de maneira visivelmente rebaixada em 21% das menções. A associação com o Partido dos Trabalhadores é frequente, representando 69% da amostra e, muitas vezes, feita de maneira depreciativa. Nesse contexto, apenas 8% das notícias continham denúncias de preconceito regional ou discursos de valorização nordestina.

Foi interessante notar que entre 1989 e 2022, apesar da pobreza ter diminuído na região e a violência regional ter sido considerada crime de racismo, aumentaram as associações entre o Nordeste e atributos de estigma, se mantendo estáveis os discursos de rebaixamento. As associações ao Partido dos Trabalhadores aumentaram consideravelmente, havendo modesto crescimento das denúncias de preconceito.
Para verificar se houve variação desse tipo de abordagem na imprensa nordestina, analisei menções ao Nordeste nas edições publicadas no Diário de Pernambuco durante o pleito presidencial de 1989. Como esperado, os resultados mostram acentuada diferença, sendo que a imprensa paulista relacionou a região nordestina ao PT e a discursos de rebaixamento muito mais que o jornal pernambucano, mesmo o partido tendo tido minoria dos votos em grande parte das cidades nordestinas e maioria na cidade de São Paulo.

Para verificar se a população paulista era abordada com a mesma negatividade, analisei em um recorte temporal específico durante as eleições de 2014 menções a ‘São Paulo’ e a ‘paulistas’ no Estadão. Os resultados são surpreendentes, mostrando que São Paulo não foi rebaixado uma vez sequer durante o período, enquanto o Nordeste foi em quase metade das reportagens. A associação entre Nordeste e Partido dos Trabalhadores foi ainda mais frequente, ocorrendo 90% das vezes, enquanto o estado paulista não foi relacionado ao partido uma vez sequer.

Os dados da pesquisa não são apenas indicadores da persistência de uma dicotomia regional que marca o Brasil desde o século XIX, mas também prova de que a paulistanidade tem consequências que ultrapassam o território estadual, afetando todo o país. Após anos de análise, notei que uma série de processos políticos conservadores se basearam em uma narrativa de dicotomia regional.
Defendo, por exemplo, que o Golpe Institucional de 2016, responsável por alçar Michel Temer à presidência da República, não teria sido possível sem o argumento de que o resultado das eleições de 2014 se deveu a uma responsabilidade nordestina. Foi uma retórica nacional acostumada a estigmatizar politicamente as populações do Nordeste que deu força aos argumentos de deposição de Dilma Rousseff.
Neste sentido, é interessante refletir sobre o fato de que as vitórias do Partido dos Trabalhadores têm sido cada vez mais relacionadas à região. Tão digno de nota é o fato de que já havia uma tentativa de associar o sucesso do PT ao estigma político da região nordestina mesmo quando o Nordeste não votava majoritariamente no partido - ao contrário da cidade de São Paulo e do estado do Rio Grande do Sul que deram a maioria de votos ao PT em 1989, por exemplo. À época, afirmou-se que padres adeptos à Teologia da Libertação estariam alienando a população nordestina:
“Cumprimento de pessoas ligadas à igreja no Nordeste: ‘Alelula’”. (FOLHA, 1989).

É surpreendente o esforço de parcela tradicional da imprensa paulista para essencializar o Partido dos Trabalhadores como nordestino e apresentar certas regiões do Brasil como naturalmente conservadoras. Como é possível que um partido que surgiu na capital paulista seja considerado unicamente nordestino? Que o país parece ter esquecido que o Movimento dos Sem Terra foi fundado em território paranaense?
Rememorar tais fatos é relevante, pois explicita que os regionalismos brasileiros têm assumido pressupostos impactantes a um cenário eleitoral que, mesmo sendo restrito em termos de transformações sociais estruturais, ainda impacta a vida da população. Se a ideia de um Sul branco e enriquecido contrastado com um Norte não branco e empobrecido faz parte de uma retórica das classes dominantes do nosso país desde o século XIX, não é de se estranhar a ideia de um Sul conservador e moralmente correto contraposto a um Norte progressista e politicamente irracional.
O que causa estranhamento é a eficácia desse tipo de narrativa. A paulistanidade, que historicamente se caracterizou pela minimização das populações pobres, negras e indígenas do estado, tem sido capaz de marginalizar seus estratos progressistas. Ao classificar como nordestino o comportamento político que tem sido o mais próximo do que é considerado progressista no cenário competitivo eleitoral, é possível não apenas estigmatizar esse tipo de comportamento, mas também delimitar fronteiras geográficas a ele. A associação entre Nordeste e PT é, portanto, não apenas mais uma forma de rebaixar a região nordestina e o que é progressista, mas também uma maneira de disciplinar o comportamento político de São Paulo e outros locais afeitos às narrativas da superioridade.
Nesse contexto, foram comuns os textos compilados no banco de dados da minha pesquisa que apresentaram as populações nordestinas de forma racializada e demarcada politicamente, justificando seu voto majoritário no PT com base na irracionalidade, em uma suposta falta de ética relacionada ao Programa Bolsa Família ou à falta de conhecimento. Em oposição, foi comum a apresentação da população paulista em particular, e do Sul e Sudeste de modo geral, como embranquecida, intelectualmente superior e politicamente racional. O que fica nítido nos excertos e nas imagens a seguir.
“Os eleitores mais informados e que não recebem bens privados – majoritariamente situados no Sudeste e no Sul do país – foram exatamente os que mais mudaram de voto. Eles haviam votado em Lula em 2002 e dele desertaram em 2006. O aspecto crucial é: por que razão? Os eleitores do Nordeste e Norte, que o haviam apoiado em 2002, ao contrário, elevaram seu apoio. Os eleitores que têm mais informação e menos dependência de bens privados foram os que mudaram seu voto em razão da corrupção. O argumento que não é sustentável é que os setores mais pobres premiam o ‘rouba, mas faz’. Na realidade, estes desconsideram a corrupção como variável essencial por incapacidade de discernir o corrupto do não-corrupto. Esta incapacidade aflige a maior parte do eleitorado brasileiro, levando à banalização da corrupção, sinalizada pela frase: ‘fizemos o que todos fazem’ (...) nosso bom selvagem não é muito diferente dos de além-mar. Está mais para um ignorante racional do que para um cultivador perfeccionista de virtudes republicanas.!” (ESTADÃO, 2006, p. 2).




Diante da seriedade dos dados, é importante enfatizar que São Paulo segue sendo local de evidente diversidade. Se a paulistanidade tem sido eficaz ao concentrar renda no estado, fortalecer processos conservadores e nomear suas ruas com nomes dos precursores das bandeiras, também tem sido potente a resistência à exclusão regional. Nem as fronteiras mais acirradas da paulistanidade conseguiram extirpar o título da capital de ‘cidade mais nordestina do país’ ou sua majoritária população negra e indígena. Ora, uma das maiores expressões do rap nacional nasceu em território paulistano e fez sucesso ao se afirmar como filho de baiano. Que tal potência seja capaz de tirar o véu que esconde as invenções regionais, bem como o conservadorismo que as sustenta.
Foto de capa: Borba gato incendiado (Rafael Vilela, São Paulo, 2021).
Referências Bibliográficas
[1] ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo; tradução Denise Bottman. Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2008.
[2] GUIMARÃES, Antonio Sérgio. Classes, raças e democracia. Editora 34, São Paulo, 2002, p.131.
[3] HOBSBAWM, Eric. Não basta a história de identidade. Sobre História: Ensaios. Trad. Cid Knipel Moreira. Companhia das Letras, São Paulo, 2004.
[4] ALBUQUERQUE JR., Durval. A Invenção do Nordeste e Outras Artes. Editora Cortez, São Paulo, 2011.
[5] SAID, Edward. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.
[6] WEINSTEIN, Barbara. The color of modernity: São Paulo and the making of race and nation in Brazil, Duke University Press Books, 2015.
[7] HERMANN, Jacqueline. Canudos Destruído em Nome da República: Uma Reflexão Sobre as Causas Políticas do Massacre de 1987. Tempo. Rio de Janeiro, 1996.
[8] VELLOSO, Mônica. A brasilidade verde-amarela: nacionalismo e regionalismo paulista. Revista Estudos Históricos, América do Norte, 1993.
[9] ANDRADE apud VELLOSO, Mônica. A brasilidade verde-amarela: nacionalismo e regionalismo paulista. Revista Estudos Históricos, América do Norte, 1993, p. 17
[10] BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.
Outras referências:
DUARTE, Paulo. Memórias. Inteligência da Fome. Hucitec, São Paulo, 1975.
MUNANGA, Kabengele. Negritude – Usos e Sentidos. Editora Autêntica, 2009.
SANTOS, Marco; MOTA, André. São Paulo 1932: Memória, Mito e Identidade. Editora Alameda, São Paulo, 2010.
* Marina Macedo Rego é doutora em Humanidades, mestra em Sociologia, bacharela e licenciada em Ciências Sociais pela USP. Focada em processos regionais de racialização e demarcação sociopolítica, escreveu a obra ‘Conheço o meu lugar’: paulistanidade e estigmatização nordestina nas eleições presidenciais (1989-2022).
A série “Quem tem medo das cores de São Paulo? - Sobre a xenofobia racializada contra migrantes no contexto paulistano” é uma iniciativa do Museu da Imigração para divulgação de reflexões sobre a discriminação xenofóbica racial. Nosso ponto de partida é de que essa forma de violência impacta muitas das vivências migrantes não-brancas na cidade de São Paulo, nos dias de hoje e num passado recente.
Os textos publicados na série temática não traduzem necessariamente a opinião do Museu da Imigração do Estado de São Paulo. A disponibilização de textos autorais faz parte do nosso comprometimento com a abertura ao debate e a construção de diálogos referentes ao fenômeno migratório na contemporaneidade.