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Indígenas identidades paulistanas num olhar indigenamente contracolonial
Casé Angatu*
“galo cantou
o dia nasceu
quem chegou aqui agora
quem chegou foi eu
estava na jurema
pra que mandou me chamar
estava na jurema
pra que mandou me chamar
quem chegou aqui agora
quem chegou foi eu”
(Canção Ritual dos Torés Indígenas)
São Paulo é Terra Indígena!
Aqui tratarei mais especificamente de indígenas originárias (os) dos estados do Nordeste por serem estas minhas raízes que geram as atuais temáticas em minhas pesquisas e no “ofício” de escritor indígena. Procurarei focar no contexto paulistano pela localização do próprio Museu da Imigração do Estado de São Paulo [1].
Logo de início saliento que não falo e nem escrevo pelos Povos Originários no geral e em nome dos Indígenas do Povo onde moro (Tupinambá de Olivença - Ilhéus/BA). Os Povos Originários possuem suas organizações, associações, caciques e lideranças. Até porque, apesar das semelhanças na luta pela terra e defesa da natureza, existem especificidades e diversidades. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, no Brasil existem 1.693.535 indígenas e 391 Povos, falantes de 295 línguas.
Portanto, o que segue é fruto das vivências, sentimentos e pensamentos que possuo. Trajeto experimentado individual e coletivamente ao longo dos caminhos percorridos e convívios com minha ancestralidade originária, seres humanos, não humanos, encantadas e encantados da Natureza Sagrada, além dos estudos acadêmicos que realizo.
Ou seja, meu chão são os saberes ancestrais presentes também nas lutas indígenas nas quais participo pelo direito ao território, memória, autonomia e em defesa da natureza.
Os sentidos de território (ou para algumas pessoas: lugar) que me orientam advêm desta minha criação e vivências indígenas. Nossas(os) Anciãs(ões) ensinam que somos galhos, folhas, frutos e sementes de árvores enraizadas na Cy By (Mãe Terra).
Território assim é diferente de espaço físico por possuirmos uma relação de pertencimento e sermos partes do lugar onde vivemos como nossos t-eté (corpos) temporários e anga (almas). “É a Aupaba (Terra de Origem) onde continuaremos a habitar depois de encantarmos e desencarnarmos desta forma física humana.”
Este é “o sentido mais profundo de território que possuímos e deveria servir para que a própria humanidade volte a se naturalizar através do sentimento de pertencimento.” Por isto também grande parte da luta dos Povos Originários é pelos:
“[...] territórios onde moram nossas(os) Ancestrais e as/os Encantadas(os) da natureza. [...] Costumo dizer: ‘não éramos, nem somos ou seremos donos da terra onde moramos … somos a própria terra’. Esta é a energia vital que nos faz resistir há mais de cinco séculos contínuos de genocídios e etnocídios” (ANGATU, 2022, p. 108-126) [2].
Acredito que essas relações de pertencimento que muitos de nós possuímos junto à natureza (chamo de indianidades) são naturalmente contracoloniais, distantes dos padrões capitalistas, mercadológicos, egocêntricos, coloniais e imperialistas.
Desde o período colonial até a consolidação do capitalismo, os donos do poder econômico e político agem de forma violenta: mortes, prisões, torturas, estupros. Espoliam nossas terras, exploram o trabalho indígena (incluindo a escravidão), destroem a natureza e nos expulsam dos territórios, negando os direitos originários naturais à terra e alteridade (respeito às diferentes formas de vivências, cultura e espiritualidades).
Um processo que denomino como colonial capitalismo que constituiu as bases da colônia, império e república, operado pelos mandatários do poder político e econômico. Assim, tentaram (ainda tentam) violar nossos direitos originários e naturais porque muitos de nós “não sentimos ou pensamos a Terra como propriedade, mercadoria e/ou algo a ser explorado”, mas como pertencimento [3].
Isto resultou em seculares deslocamentos de pessoas indígenas, Povos Originários e de seus descendentes. Denomino esse cruel e estrutural processo da formação daquilo que se chama de Brasil como: diásporas dos Povos Indígenas e/ou diásporas indígenas e de seus descendentes.
Os que estão à frente do colonial capitalismo buscaram (ainda buscam) apagar memórias/identidades/vivências ancestrais. Um exemplo da continuidade desse quadro é a “Lei do Marco Temporal”:
“Para quem ainda não sabe, a tese do Marco Temporal procura estabelecer que só ‘têm direito’ às Terras Originárias os Indígenas que ‘já as ocupavam ou disputavam até 5 de outubro de 1988’, data da promulgação da Constituição de 1988. [...] Desconsidera o processo histórico de espoliações e expulsões, bem como o silenciamento ao qual foram submetidos os Povos Originários através da violência, mesmo quando ficaram em seus territórios.” [3].
Isto ajuda a compreender também porque querem a invisibilização e silenciamento de nossa presença na formação histórica, espiritual e sociocultural brasileira, incluindo nas cidades paulistas. Insisto que isto acontece através de estruturais etnocídios feitos pelos donos do poder econômico, estado e justiça brasileira, desde as invasões europeias (séc. XVI) através das práticas de catequização, evangelização, integração, assimilação à sociedade não indígena, ao desenvolvimento nacional e sistemáticos genocídios.
Essas foram práticas que estiveram também presentes na história paulistana, desde sua chamada “fundação” (25 de janeiro 1554), posterior elevação à vila (1558), à cidade (1711), durante a denominada “segunda fundação da cidade” (1872), no IV Centenário (1954) e na atualidade.
Ressalto que denomino esse processo histórico de colonial capitalismo que não ocorre sem nossas resistências e re-existências originariamente contracoloniais. Por isso, continuaremos descolonizando a história, memórias e identidades, fazendo valer nossos direitos.
Contracolonizar identidades e histórias impostas a partir de memórias e vivências indígenas
Não somos donos da terra
Somos a própria Terra
Já somos um mundo
onde cabem muitos mundos
de respeito à Natureza
que para nós é Encantada
Somos as/os guardiãs(ões) da Natureza
Não precisamos esperar o porvir
Porque somos o presente do passado
e do futuro
(Casé Angatu)
Escutem! Conseguem ouvir os sons originários que advêm do profundo das angas (almas) indígenas nas cidades como São Paulo? Vejam! Percebem a presença dos Povos Originários de vários lugares em diferentes territórios no estado de São Paulo, na “Pauliceia desvairada” ou em sua cidade que alguns dizem não ter indígenas? Sintam! Vocês conseguem encontrar as memórias e identidades indígenas na polifônica capital paulista e em outras cidades que alguns dizem não terem alma?
Pois então: ainda causa estranhamento quando fazemos estes questionamentos e falamos que cidades como São Paulo têm Povos Originários entre seus moradores. Espanta mais ainda quando salientamos que a capital paulista e as cidades paulistas são constituídas por diversas indianidades em suas histórias [4].
Do mesmo modo, alguns se surpreendem ou até negam a possibilidade dessas cidades serem também indígenas, compostas por memórias, identidades e territorialidades originárias. Certas pessoas desconhecem até mesmo a existência de aldeias e territórios indígenas em alguns dos municípios paulistas.
Por exemplo, indagamos: quantos moradores e mesmo estudiosos da cidade de São Paulo sabem alguma coisa acerca dos antigos aldeamentos indígenas? Quantos são os paulistanos que compreendem qual é a importância dos aldeamentos indígenas para perceber as identidades, memórias, culturas e territorialidades paulistanas? Aliás, os moradores da cidade sabem onde ficavam localizados os aldeamentos indígenas surgidos entre os séculos XVI e XVII que formaram a capital paulista e seus arredores? Já ouviram falar do Cerco de Piratininga, que ocorreu no dia 9 de julho de 1562? Sabia que ocorreu escravidão indígena em São Paulo? O que as pessoas sabem sobre as identidades indígenas na capital paulista? Ouviram falar sobre a importante presença dos “migrantes nordestinos”, muitos dos quais indígenas em São Paulo, para procurar entender a presença originária na cidade? [5].
Claro que não oferecemos respostas acabadas sobre as questões aqui levantadas. Mas são ponderações que me guiam como indígena e historiador quando penso na formação identitária de São Paulo.
Os chamados “aldeamentos jesuíticos” da cidade, considerados como um de seus marcos fundantes, na nossa compreensão, eram antes de tudo aldeamentos indígenas que constituíram seus territórios e do entorno. Assinalo nesta direção porque provavelmente esses aldeamentos tinham entre seus moradores uma maioria de indígenas.
A historiografia descreve como sendo ao todo doze aldeamentos indígenas: Pinheiros, São Miguel de Ururaí, Barueri, Carapicuíba, Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, Embu, São José, Escada, Itaquaquecetuba, Itapecerica, Peruíbe e Queluz.
Existem marcas na cidade que permitem ponderar sobre uma estrada pré-colonial chamada de Peabiru. Um longo caminho anterior às invasões europeias que cortava o território paulista e de outros estados até chegar possivelmente em Cusco. Aos que não acreditam na existência da Peabiru, pondero: será que essas pessoas desconfiam da capacidade dos Povos Originários de fazer um caminho como este antes da colonização?
Na minha compreensão, essa desconfiança da existência da Peabiru é uma colonialidade racista por menosprezar os Povos Originários da Abya Yala (América) e Pindoretama (Brasil). Assinalo que existe toda uma documentação histórica escrita pelos próprios invasores tentando encontrar suas rotas.
Nesta mesma direção, de percebermos os vestígios das presenças indígenas em São Paulo, destaco a secular Festa da Carpição que ocorre todo mês de agosto em Guarulhos, no bairro de Bonsucesso. Existem documentos que assinalam a existência da Capela de Bonsucesso desde 1670, bem como de indígenas. Naquele lugar se reúnem ainda hoje pessoas de vários municípios da Grande São Paulo, incluindo dos bairros paulistanos, para devotar sua fé à Terra considerada sagrada [6].
Outra marca desse passado é a Capela dos Aflitos, localizada no atual bairro da Liberdade. Lá foi um antigo Cemitério Indígena e Negro onde atualmente ocorrem pesquisas arqueológicas e o restauro da Capela [7]. Assim como a Capela dos Aflitos, são várias as localidades existentes na cidade onde é possível perceber essas presenças: Várzea do Carmo, Baixada do Glicério, Anhangabaú, Igreja do Rosário dos Homens Pretos, entre outros locais [8].
Não obstante, não culpo a população paulista e paulistana pelo desconhecimento. Como analisei anteriormente, ocorreram tentativas de apagamento da presença indígena, negra, cabocla, caipira e popular na história da cidade.
Reitero que muitas cidades de São Paulo nunca deixaram de ser indígenas. No caso da capital paulista, era antigamente denominada por alguns ancestrais como Piratininga (“peixe seco”). A toponímia (estudo dos nomes) de várias cidades, ruas, bairros, espaços, rios e estradas do estado de São Paulo, bem como em outros estados brasileiros, assinala o quanto a presença indígena marca a história e atualidade desses lugares.
Presença que se faz sentir nos nomes de seus rios: Tamanduateí, Tietê, Saracura. Nos nomes de muitas de suas ruas, lugares, bairros e arredores: Anhangabaú, Anhanguera, Aricanduva, Biritiba, Butantã, Cambuci, Carapicuíba, Cotia, Curuçá, Embu, Embu-Guaçu, Grajaú, Guaianases, Guararema, Guarulhos, Grajaú, Ipiranga, Itapecerica, Itapevi, Itaquaquecetuba, Itaquera, Jabaquara, Jacuí, Jaguará, Jaguaré, Jaraguá, Juquitiba, Mairiporã, M’Boi Mirim, Moema, Morumbi, Paissandu, Pacaembu, Piqueri, Pirapora, Piratininga, Pirituba, Mooca, Tatuapé, Tucuruvi, entre outros.
Penso nessa nomenclatura como presenças ancestrais originárias. Entretanto, a indianidade dessas cidades não está somente nos nomes. Tomando a capital paulista e região como exemplo, a permanência indígena está fortemente viva, resistente e re-existente nas Aldeias Guarani no Jaraguá, Aldeias Guarani de Parelheiros, Comunidade Pankararu no Real Parque, Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra (Cabuçu em Guarulhos), várias Comunidades Originárias e familiares em várias regiões.
Aproveito para salientar que seria de fundamental importância termos essas memórias e histórias narradas em diferentes formatos: oralidades, imagens, sons, livros e diferentes formas de publicação. Percebo indianidades em muitos moradores de São Paulo que vivem nos bairros, vilas, comunidades periféricas, centrais, ocupações, favelas, conjuntos habitacionais, ruas, praças e viadutos.
Pessoas que têm suas ancestralidades ligadas aos Povos Originários forçados a saírem de suas terras natais. Uma verdadeira Diáspora Indígena, mas que mesmo assim as identidades originárias se fazem presentes nas formas de construir suas moradias (mutirão, motyrõ, moitará ou potyrom), criar territórios, alimentação (as várias “casas do norte e nordestinas” com suas farinhas, jabá etc), festas (destaque a indígena festa junina), musicalidades (forró, coco, rodas), maneiras de falar, entre outras dimensões [9].
Adicionemos a essas ponderações os dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado em 2022. Segundo os números censitários recolhidos nesse ano, o município de São Paulo é um dos que mais possuem população indígena no Brasil, com 19.777 pessoas autodeclaradas, ficando em 10º lugar no país. Já o estado de São Paulo possui 55.295 indígenas autodeclarados [10].
Porém, acredito que esses números de pessoas originárias em São Paulo (cidade e estado) são bem maiores, especialmente em decorrência das dificuldades em se declarar indígena num contexto urbano. Um contexto que ainda discrimina Povos Originários, reforçando um apagamento histórico (etnocídio) das memórias e identidades ancestrais.
Soma-se a essas considerações, ainda conforme o Censo do IBGE (2022), a informação de que 86,7% das cidades do país têm moradores indígenas. Na mesma direção de ponderar que o número de indígenas é maior na cidade e estado de São Paulo, a constatação censitária de que a capital paulista possui a maior diversidade de Povos Originários do país, com 194 etnias. Do mesmo modo, o estado de São Paulo também é o primeiro com 271 povos.
O apagamento das memórias e identidades indígenas como prática etnogenocida para violar direitos
Pondero que este desconhecimento sobre as presenças étnicas originárias na cidade e estado é inconsciente em alguns casos. Mas, por vezes, proposital e historicamente constituído para impedir a percepção das origens das desigualdades sociais, raciais e a luta por direitos, entre os quais a luta pela terra espoliada.
Reflitam como a história desse país mudaria se todas as pessoas indígenas soubessem de suas histórias, identidades e reivindicassem seus direitos aos territórios ancestrais roubados [11].
Reafirmo que existe, ao longo da história das diferentes cidades do estado de São Paulo, assim como em outros lugares do país, uma tentativa de apagar e silenciar até fisicamente (etnocidar e genocidar) certos grupos sociais e étnicos, entre eles a população indígena. Como analisei no livro Nem Tudo Era Italiano: São Paulo e Pobreza (1890–1915), isso ocorre em diferentes épocas, como na virada do século XIX para XX. Havia um projeto de europeização arquitetônica, urbanística e populacional. Buscava-se a apagar “qualquer traço caipira, caboclo, indígena e negro da cidade”. Buscava-se uma “limpeza sociocultural” perseguindo práticas e espaços de vivências das camadas populacionais nacionais nas áreas mais centrais e suas adjacências [12].
Em meu outro livro, Identidade Urbana e Globalização: a Formação dos Múltiplos Territórios em Guarulhos/SP, destaco que o mesmo ocorreu naquele município que possuiu dois aldeamentos indígenas em suas espacialidades [13]. Pondero que algo semelhante aconteceu em vários municípios do estado.
Em 1954 (durante o chamado IV Centenário Paulistano) e nas décadas de 1950 e 1960, a cidade de São Paulo passou novamente pela tentativa dos grupos no poder econômico e político de recriar o passado. Naquele período, procurava-se destacar as origens “briosas” das famílias “quatrocentonas”. Destacava-se o passado “desbravador” e “heróico” dos bandeirantes. Valorizava-se a Revolução Constitucionalista de 1932. Homenageavam as ações jesuíticas que teriam “catequizado” os “selvagens” e “fundado” São Paulo. Recomendo a leitura (ou audição) do hino do estado e da cidade de São Paulo para perceber essas dimensões [14].
Foi nesta época que se (re)batizaram ruas, praças, viadutos, avenidas, bairros, rios, lugares e construíram-se muitos dos monumentos e edificações sobre este passado idealizado pelas elites paulistanas. Quando se falava de indígena, fazia-se a alguns considerados “bons selvagens” que “aceitaram” a fé católica e contribuíram para o “desenvolvimento” da cidade.
No entanto, foi nessa época que a cidade passou de 1.326.261 habitantes em 1940, para 3.781.446 moradores em 1960. Um crescimento decorrente das migrações interioranas, especialmente a “nordestina".
Durante o espetáculo “Opinião”, apresentado em 1965 no Teatro Arena, Maria Bethânia, ao interpretar a música “Carcará” (autoria de João do Vale), recita dados retirados de um relatório da Sudene sobre a migração de “nordestinos” expulsos da terra.
Em 1950 mais de dois milhões de nordestinos viviam fora dos seus estados natais!
10% da população do Ceará emigrou!
13% do Piauí!
15% da Bahia!
17% de Alagoas! [15].
O quadro que segue reforça essa imagem apresentada pela música. Reparem que em 1980, 50,90% da população paulistana não tinha nascido em São Paulo.
Residentes Não Naturais nos anos de Recenseamento Geral Município de São Paulo, 1960 a 2000 [16].
Anos | População Total | Não Naturais | % |
1960 | 3.781.446 | 1.868.369 | 49,41 |
1970 | 5.924.615 | 2.841.150 | 47,96 |
1980 | 8.493.226 | 4.323.444 | 50,90 |
1990 | 9.646.185 | 3.692.795 | 38,28 |
2000 | 10.434.252 | 4.010.457 | 38,44 |
Na minha compreensão, este crescimento resultou na chegada de muitos indígenas. Algo que denomino como diáspora indígena, pessoas originárias e/ou de ancestralidades indígenas expulsas de suas terras. Assinalo nesta direção, porque, voltando aos dados censitários de 2022, não é casual que a cidade e o estado de São Paulo liderem no país em números de Povos Originários [17].
Além disso, é constante ouvir histórias em São Paulo de pessoas vindas de outras cidades dizendo que suas origens são indígenas. Como assinalei antes, percebe-se essa presença nas formas de habitar, festejar, comer, conversar, pelas memórias e identidades.
A diáspora indígena trouxe e fortaleceu as características de vivências, tradições e ancestralidades originárias, somadas com os indígenas que na cidade já moravam. Em decorrência da desigualdade econômica e social, fruto de um sistema que acumula riquezas nas mãos de poucos, estes que foram morar em São Paulo aumentaram a densidade demográfica da cidade em suas periferias, favelas, cortiços, ruas e praças [18].
Ou seja, a cidade descrita como “bandeirante” (termo criado de forma atemporal pela elite paulistana) nunca deixou de ser indígena, negra e cabocla. Tornou-se mais indígena ainda por ser formada por pessoas originárias, afrodescendentes, “nordestinas” e interioranas que re-existem e resistem em suas características indígenas e populares.
Porém, da mesma forma, persiste a maneira de atuar sobre a cidade de parte dos grupos no poder político e econômico atual. Alguns tentam apagar e silenciar essa São Paulo Indígena. Como pondero no posfácio à quarta edição do livro Nem tudo era italiano:
“Mas assim como na virada do século XIX para o XX, quando (re) existiram múltiplas vivências das camadas populares, as (re)existências socioculturais continuaram vivas. Como antes, os projetos de parte dos detentores do poder econômico não se consolidaram como um todo. A cidade das camadas populares nacionais (indígena, afrodescendente, cabocla, caipira, migrante) continuou e continuará a (re)existir.” [19].
Considerações sem fim: não temos rancor, possuímos memória
Compreendo que a construção identitária de São Paulo está fortemente ligada à presença indígena, caipira, cabocla, negra, imigrante e migrante. Presenças passadas, presentes e futuras, representando resistências e (re)existências em territórios pela cidade, nomes dos lugares na vida cotidiana.
Historicamente alguns grupos sociais tentam silenciar e invisibilizar estas presenças. Buscam destacar personagens como: Fernão Dias Pais, Manuel Borba Gato, Domingo Jorge Velho, Antônio Raposo Tavares, Bartolomeu Bueno da Veiga, entre outros.
Numa leitura contracolonial, valorizo outras histórias, memórias e identidades. Esta é uma das nossas militâncias indígena e acadêmica. Isto é, descolonizar olhares, saberes e espíritos. Mostrando o quanto as presenças indígenas, negras, caboclas, “nordestinas” e imigrantes são fundamentais na construção de várias cidades, entre elas: São Paulo.
A cidade está cheia de vestígios, territórios, memórias indígenas, negras e populares. Trata-se de reconstruir descolonialmente as narrativas históricas. O negacionismo de nossas histórias por parte dos donos do poder político e econômico, além de uma certa elite intelectual, não envolve só o passado, como também o presente e o futuro. Alguns deles continuam negando não só nossas memórias, mas também direitos atuais.
Os genocídios e etnocídios contra indígenas, bem como os ecocídios, não aconteceram somente no passado, mas ainda ocorrem. Por vezes os governos atuam como os velhos/novos bandeirantes, retirando direitos originários, parando as demarcações das terras indígenas, ameaçando as terras demarcadas e devastando a natureza.
Entretanto, costumamos dizer:
“... não temos rancor,
mas possuímos memória…”
(Casé Angatu)
Não tem como esquecer mais de quinhentos anos de invasões, massacres, genocídios, etnocídios, estupros e ecocídios cometidos por muitos destes que viraram monumentos, recebem homenagens e são considerados heróis nacionais. Muitos dos monumentos que vemos em espaços públicos e privados paulistanos, bem como em várias cidades brasileiras, comprovam os massacres ocorridos.
Existem outras formas de se buscar a memória, que é uma das bases para se escrever a história, que vão para além da materialidade dos monumentos. Os Povos Indígenas têm muito a ensinar sobre isto, especialmente através das oralidades, cantos, rituais, pinturas, artesanatos, comidas, festejos e nas memórias das(os) nossas(os) anciãs(ões). Assim, na minha leitura: não estaríamos arriscando apagar a história sem debatê-la ou refletir sobre ela?
Para isto também precisaríamos fazer valer a Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras no ensino fundamental e médio. Ao mesmo tempo, aprofundar a formação das pessoas originárias, educadoras, educadores indígenas e não indígenas para atuarem neste sentido.
Já tem ocorrido várias iniciativas neste sentido, como a que faz o Museu das Culturas Indígenas em parceria com o Instituto Maracá. A realização da formação museal junto ao Conselho Aty Mirim - Programa de Acervo e Centro de Pesquisa e Referência foi um destes momentos fundamentais para construirmos este olhar descolonial sobre a cidade e o estado de São Paulo.
São espaços de diálogos como este que possibilitam formas de divulgarmos as falas e produções indígenas. Podemos falar hoje de literatura, arte, música, cinema, museologia e produção acadêmica indígena. No entanto, acima de tudo, uma coisa é fundamental: apoiar os Povos Originários e todas as pessoas que lutam por seus direitos contra os novos/velhos bandeirantes no poder.
A história é uma construção seletiva das memórias que possuímos sobre o passado. Os monumentos e museus são construções seletivas sobre o passado. Nesse sentido, precisamos construir nossas histórias a partir de nossas memórias e juntos consolidarmos um mundo que já existe em muitos de nós. Um mundo onde existem vários mundos com igualdade social, respeitando as diferenças.
“Todo Indígena tem ciência
Oh Tupã por que será?
Tem a ciência encantada
No tronco da Jurema”
(Canção ritual indígena)
Referências bibliográficas e notas de rodapé
[1] Muito do que segue é parte das publicações de minha autoria que estão nas indicações bibliográficas no final, bem como de um texto produzido durante a formação museal junto ao Conselho Aty Mirim do Museu das Culturas Indígenas (MCI /SP). Vale observar que encontro alguns conceitos, pesquisas e levantamentos que reproduzo sem assinalar a autoria deste que escreve. É fundamental valorizar a produção de saberes de forma individual e coletiva, ainda mais que, por vezes, dependendo da época que escrevemos pagamos um preço bem caro como perseguições, isolamentos socioculturais e acadêmicos.
[2] As citações realizadas até aqui fazem parte da seguinte publicação: ANGATU, Casé. Já somos outros mundos possíveis, mas precisamos desarraigar o humano e o capital do centro do universo: Aupaba suí Possaûssub Nhe’enga, suí Ka’aeté T-Eté Anga (Territórios do Sonhar, Falar, das Matas, Corpos e Almas). In: TETTAMANZY, A. L. L., SANTOS, C. M. e MEDEIROS, V. L. C. (Org.) Letras e Vozes dos Lugares. Porto Alegre: Editora Zouk, 2022, p. 108 à 126. Disponível em: https://www.editorazouk.com.br/pd-909949- , 2022.
[3] ANGATU, Casé. Existe mesmo um Antropoceno ou será o velho colonial capitalismo que devora a Terra e todas as pessoas? In: IEA-USP IEAE/UFSCAR, Instituto de Estudos Avançados da USP – Polo São Carlos e pelo Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos da UFSCar (Org.). Diálogos Avançados 1 - As Ciências Diante do Antropoceno. São Paulo: IEA-USP IEAE/UFSCar, 2026, p. 20
[4] Neste texto utilizo a primeira pessoa do plural em alguns casos. Isto ocorre porque a presente escrita é fruto das vivências e pensamentos coletivos.
[5] Estou utilizando a palavra “nordestina(o)” entre aspas porque existe um debate sobre o caráter generalizante deste termo. Como este não é o eixo do presente texto optei por utilizar as aspas em respeito às reflexões que já foram e são produzidas.
[6] Sobre a Festa da Carpição: ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F.). Identidade urbana e globalização: a formação dos múltiplos territórios em Guarulhos/SP. São Paulo: Annablume; Guarulhos: Sinpro, 2006.
[7] Sobre a Capela dos Aflitos: 1) Casé Angatu na Capela dos Aflitos. Produção: Esquisito Filmes – Alexandre Kishimoto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rdYOFX4DrMk&t=11s , 2022. / 2) São Paulo Negra e Indígena - Roteiro de Memória com Abilio Ferreira e Casé Angatu. Produção: Alexandre Kishimoto e Vera Longo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uroNuPhCaMU , 2023 / 3) Sítio Arqueológico do Cemitério dos Aflitos como um Território Negro-Indígena da cidade de São Paulo. Produção: Alexandre Kishimoto e Vera Longo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PYz-8-6mkXc , 2023.
[8] Nas Caminhadas (Guatás) Guatá Indígenas Identidades Paulistanas apresento alguns desses lugares. Veja o Webdocumentário Mobiliário Urbano: moburb.org. Dirigido por dirigido por Mirrah da Silva, Eduardo Liron e Federico Moreira, 2018. No meu livro Nem Tudo Era Italiano também assinalo esses territórios: ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F.). Nem tudo era italiano: São Paulo e pobreza (1890–1915). 4. ed. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2018.
[9] Sobre a Festa Junina como uma Indígena, assista ao Documentário: 1) Documentário: Festa Junina dos Tupinambá - Casé Angatu: São João dos Povos da Terra”. In: TV UESC. Disponível em: https://www.facebook.com/tvuesconline/videos/330676907843047/ , 24 jun. de 2019. / Acerca do mutirão indico: 2) ANGATU, Casé. Um olhar indígena decolonial sobre as inundações que abriram o ano (2022). In: Correio da Cidadania. Disponível em: https://www.correiocidadania.com.br/social/14888-um-olhar-indigena-decolonial-sobre-as-inundacoes-que-abriram-o-ano , 10/01/2022 / 3) Webdocumentário Mobiliário Urbano: moburb.org. Dirigido por dirigido por Mirrah da Silva, Eduardo Liron e Federico Moreira, 2018 / 4) Filme: Territórios de Resistência – Florestanias, Sertanias, Ribeirias. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/editorial/sesc-lanca-documentario-territorios-de-resistencia-florestanias-sertanias-ribeirias/ , SESC, 2021.
[10] Alguns desses números censitários são variáveis conforme as publicações onde aparecem. Segundo o IBGE, para 2022, o Brasil possuía 1.693.535 Indígenas. Um crescimento de aproximadamente 88,82% em relação ao Censo de 2010, quando éramos 897 mil pessoas.
[11] Sobre o tema, indico: 1) ANGATU, C. Tupixuara Moingobé Ñerana: autodeclaração indígena como retomada da indianidade e territórios. In: ANGATU, C., GUILUZ-IBARGÜEN, M., BRAGA, C. e GUIMARÃES, R. S. (Orgs.). Revista Espaço Acadêmico - Dossiê: De/S/Colonização Estética: Saberes Tradicionais, Artes, Dissidências. Maringá. UEM, 2021. p 13 - 24. / 2) ANGATU, Casé. Decolonizar o conhecimento e o ensino para enfrentar os desafios na aplicação da Lei 11.645/2008. In: MATTAR, S., SUZUKI, C. e PINHEIRO, M. A lei 11.645/08 nas artes e na educação. São Paulo: ECA-USP, 2020. p. 38 – 73. / 3) Autodeclaração Indígena. In: Revista Parentes. São Paulo: 2026.
[12] ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F.). Nem tudo era italiano: São Paulo e pobreza (1890–1915). 4. ed. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2018, p. 200.
[13] ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F.). Identidade urbana e globalização: a formação dos múltiplos territórios em Guarulhos/SP. São Paulo: Annablume/Sinpro, 2006.
[14] ANGATU, Casé. CasoBorba Gato e a descolonização do olhar. In: Outras Palavras. Disponível em: https://outraspalavras.net/descolonizacoes/caso-borba-gato-e-a-descolonizacaodo-olhar/ , 27/07/2021.
[15] O vídeo com a canção “Carcará” está disponível no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=T3Dfd3KHI30&list=RDT3Dfd3KHI30&start_radio=1.
[16] Fonte: IBGE e Censos Demográficos.
[17] Lembrando: a capital paulista possui a maior diversidade de Povos Originários do país com 194 etnias. Do mesmo modo, o estado de São Paulo também é o primeiro com 271 povos.
[18] Assista aos filmes: 1) Raízes Indígenas da Favela. Realizado por Vitória Satiro. Disponível em: https://www.instagram.com/raizesindigenasdafavela/ / 2) Oxente Bixiga. Realizado por Daniel Fagundes e Fernanda Vargas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dQLdri_JYfk, 01 de julho de 2021. / 3) Tupinambá Subiu a Serra. Autoria: CABRAL, M. C. e NEVES, D. Produtora Buero Aberto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3UdGLWO2t3A#action=share , 2020 / 4) É Isto Que Chamamos de Território. Parte do Webdocumentário Mobiliário Urbano: moburb.org. Dirigido por Mirrah da Silva, Eduardo Liron e Federico Moreira, 2018. Disponível em: http://moburb.org/ABCA01DI08BE10BO07CA05BO14CA04BO11JU04BO0 , 2018. / 5) ANGATU, Casé. Um olhar indígena decolonial sobre as inundações que abriram o ano (2022). In: Correio da Cidadania. Disponível em: https://www.correiocidadania.com.br/social/14888-um-olhar-indigena-decolonial-sobre-as-inundacoes-que-abriram-o-ano , 10/01/2022
[19] ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F.). Nem tudo era italiano: São Paulo e pobreza (1890–1915). 4. ed. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2018, p. 200-201.
Outras referências:
ANGATU, C. Tupixuara Moingobé Ñerana: autodeclaração indígena como retomada da indianidade e territórios. In: ANGATU, C., GUILUZ-IBARGÜEN, M., BRAGA, C. e GUIMARÃES, R. S. (Orgs.). Revista Espaço Acadêmico - Dossiê: De/S/Colonização Estética: Saberes Tradicionais, Artes, Dissidências. Maringá. UEM, 2021. p 13 – 24
ANGATU, Casé. Anga Moronguetá: Indiginamente Resistimos Porque (Re)Existimos Originariamente. In: Revista Têmpera, Vol. 01, N. 03. Grupo Têmpera, 2019, p. 06-19. Disponível em: <https://grupotempera.wixsite.com/grupotempera/rt3>, 2019.
ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). Identidades Urbanas e Globalização – a formação dos múltiplos territórios em Guarulhos/SP. São Paulo: SINPRO/GRU, 2006.
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ANGATU, Casé. Já somos outros mundos possíveis, mas precisamos desarraigar o humano e o capital do centro do universo: Aupaba suí Possaûssub Nhe’enga, suí Ka’aeté T-Eté Anga (Territórios do Sonhar, Falar, das Matas, Corpos e Almas). In: TETTAMANZY, A. L. L., SANTOS, C. M. e MEDEIROS, V. L. C. (Org.) Letras e Vozes dos Lugares. Porto Alegre: Editora Zouk, 2022, p. 108 à 126.
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ANGATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). Nem Tudo Era Italiano – São Paulo e Pobreza na virada do século (1870-1915). São Paulo: Annablume/FAPESP, 4a. Edição 2018.
ANGATU, Casé. Existe mesmo um Antropoceno ou será o velho colonial capitalismo que devora a Terra e todas as pessoas? In: IEA-USP IEAE/UFSCAR, Instituto de Estudos Avançados da USP – Polo São Carlos e pelo Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos da UFSCar (Org.). Diálogos Avançados 1 - As Ciências Diante do Antropoceno. São Paulo: IEA-USP IEAE/UFSCar, 2026, p. 21-43.
Carpição, a Benção da Terra: uma tradição secular em Guarulhos". São Paulo: Reallização/Roteiro/Direção: Wismar Rabelo - Realização WR3 2014. Disponível Online: https://www.youtube.com/watch?v=i0RPogARsZI, 01 de novembro de 2014.
Casé Angatu analisa “Culinária indígena exerce muita influência na gastronomia baiana; saiba quais são esses alimentos”. In: Globo.com-G1 Disponível em: https://gshow.globo.com/Rede-Bahia/noticia/culinaria-indigena-exerce-muita-influencia-na-gastronomia-baiana-saiba-quais-sao-esses-alimentos.ghtml 19 de abril de 2021.
Casé Angatu analisa “Quem é o Homem Branco?”. In: TV Futura - Série sobre Branquitude. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/9081648/ ou https://globoplay.globo.com/v/9081648/programa/ , 07 de dezembro de 2020.
Casé Angatu analisa “Ser a Terra e Possuir a Terra”. In: TV Futura - Série sobre Branquitude. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/9081892/programa/ 2020.
Casé Angatu fala sobre “Antropofagia”. In: TERREYRO COREOGRÁFICO, Direção: Isadora Brant e Daniel Fagus Kairoz. Participação Especial: Livia Melzi. Antropofagia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=S2k3bAmFsv0, 01 de julho de 2021.
Cosmovisões: Olhar De Um Indígena (Casé Angatu) – Relações Entre Humano, Natureza E Anga”. In: *** 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompeia, São Paulo).*** Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6vne4G9Uxjw&list=PL7Afrte6bZnaMOcPUkn-JsddvXcX2feTX&fbclid=IwAR2x_3JlHhP6C7ei0q7wu75IsEaKVTG-g0crZ8J26B4vTliSNwS7ASrm7wk, 12 de janeiro de 2018.
Îandê Yby - Nós somos a Terra Tupinambá. Autoria: Estudantes do curso de Comunicação Social, Rádio e TV da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC/BA. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=N2DKI2UaZxQ&t=14s , 2020.
Imigração em São Paulo. São Paulo: Produção da Secretaria de Educação do Governo do estado de São Paulo, Disponível Online: http://www.ejamundodotrabalho.sp.gov.br/Conteudo.aspx?MateriaID=53&tipo=Videos (Depois de linkar escolher o vídeo: "Imigração"), 2014.
Mercado Municipal (de São Paulo) Completa 75 Anos. São Paulo: Realização Folha Online. Disponível Online: https://www.youtube.com/watch?v=zrsf-rFy0C4, 25/01/2008.
Territórios de Resistência – Florestanias, Sertanias, Ribeirias. Realização: SESC e Museu Paulista (Museu do Ipirianga). Disponível em: https://sesc.digital/conteudo/programacao/territorios-de-resistencia-florestanias-sertanias-ribeirias, 30/09/2021.
Imagem de capa: Índios que passaram pela Immigração com destino ao interior do Estado. / Crédito: Acervo Museu da Imigração/APESP.
*Casé Angatu: Indígena morador no Território Tupinambá em Olivença (Ilhéus/BA). Professor na Universidade Estadual de Santa Cruz – (UESC/Ilhéus/BA). Pós-Doutorado em Psicologia na UNESP/Assis, Doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP); Mestre em História pela PUC/SP; Historiador pela UNESP. Publicações: “Nem Tudo Era Italiano – São Paulo e Pobreza (1890-1915)” (Annablume/FAPESP, 2018) e “Identidades Urbanas e Globalização: constituição de territórios em Guarulhos/SP” (Annablume, 2006). Coautorias: além das citadas neste texto: “Atlas do Chão” (2022) “Índios no Brasil: Vida, Cultura e Morte” (LEER/USP, 2018); “A Lei 11.645/08 nas artes e na educação: perspectivas indígenas e afro-brasileiras” (ECA/USP, 2020); “Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia, ativismo” (2020); “Cadernos da Casa Museu Ema Klabin: identidades paulistanas” (Ema Klabin, 2020); “Dossiê: De/S/Colonização Estética: Saberes Tradicionais, Artes, Dissidências” (UEM, 2021); “Artes da cena e direitos humanos (ABRACE,2022); entre outros. Consultoria Curatorial da Exposição “Ser Essa Terra: São Paulo Cidade Indígena”, Memorial da Resistência São Paulo (24/11/2018 – 22/07/2019). Produções audiovisuais: “Oxente Bixiga” (2021), “Tupinambá Subiu a Serra” (2020), “Îandê Yby - Nós somos a Terra Tupinambá” (2020), “Territórios de Resistência – Florestanias, Sertanias, Ribeirias” (SESC, 2021), “Festa Junina Tupinambá” (TV Uesc, 2023), “Quem é o Homem Branco?” (TV Futura, 2020), “Webdocumentário Mobiliário Urbano: moburb.org.” (2018), “Ato I - A Queda das Torres - Teatro Oficina” (Teatro Oficina Uzyna Uzona, 2017).
A série “Quem tem medo das cores de São Paulo? - Sobre a xenofobia racializada contra migrantes no contexto paulistano” é uma iniciativa do Museu da Imigração para divulgação de reflexões sobre a discriminação xenofóbica racial. Nosso ponto de partida é de que essa forma de violência impacta muitas das vivências migrantes não-brancas na cidade de São Paulo, nos dias de hoje e num passado recente.
Os textos publicados na série temática não traduzem necessariamente a opinião do Museu da Imigração do Estado de São Paulo. A disponibilização de textos autorais faz parte do nosso comprometimento com a abertura ao debate e a construção de diálogos referentes ao fenômeno migratório na contemporaneidade.